Quando uma copa do mundo ainda não é o suficiente
Parte da imprensa esportiva tem apresentado um péssimo hábito nos últimos anos: tratar tudo de maneira superficial. Enquanto o presidente de um certo clube de futebol carioca vai embora do estádio com toda a renda do jogo no bolso e é misteriosamente (e com toda a ironia) assaltado, a resenha se limita a listar as estatísticas e dizer o resultado da partida. No máximo se contesta uma ou outra expulsão ou impedimento mal marcado e fim.
Tal fenômeno naturalmente está se repetindo nas olimpíadas da China. Os comentaristas brasileiros ignoram o fracasso das equipes tupiniquins e exaltam o quadro de medalhas, mostrando o quanto o Brasil “evoluiu” ganhando “incríveis” 5 medalhas de bronze e uma de ouro. No fim das contas, os melhores textos/matérias foram feitos por não-jornalistas esportivos, como esse do Felipe Netto, e esse do Cardoso.
Um outro hábito (e esse é comum na imprensa em geral) é substituir um assunto falido por outro. Na atual conjuntura jornalística, o assunto suprimido é, obviamente, a pífia campanha da delegação olímpica do Brasil (mas também poderia ser o fato de o Brasil, “o celeiro do mundo“, como disse o Cardoso, importar da China 23 mil toneladas de feijão em 2008). Brasil nas olimpíadas 2008 foi substituído por Olimpíadas no Brasil em 2016. Essa é a pauta do momento, mas como já disse acima, está sendo tratada de maneira superficial.

O público pergunta se é possível. O presidente confirma. A imprensa divulga. Acabou o ciclo. De fato, nessa questão não há o que contestar. Segundo o mexicano Mario Vázquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana – Odepa, os R$ 3,7 bilhões investidos no Pan do Rio em 2007 provocaram um impacto econômico favorável para a cidade, com 30% de aumento no faturamento de bares e restaurantes, em relação ao mesmo período do ano anterior, e R$ 20 milhões a mais na hotelaria, mesmo com a crise aérea. Logo, a idéia de uma Olimpíada (evento de proporções maiores, porém não muito díspares) é perfeitamente plausível.
Essa é a resposta que leitor/telespectador quer, mas definitivamente não é a que ele precisa.
Urgente mesmo, é questionar se de fato existem vantagens significativas. Em entrevista ao portal Terra.com.br, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro – COB, Carlos Arthur Nuzman, garantiu que o Rio é “a melhor opção em matéria de segurança, instalações, alojamentos, paisagem, ecologia e educação“. Dois dias depois da declaração, três chineses e o conselheiro da embaixada do Vietnã no Brasil foram seqüestrados na estrada das Paineiras, no caminho para o Corcovado por dez homens encapuzados, fortemente armados e se passando por policiais. Eles foram levados para a Vila Cruzeiro, violenta comunidade do Complexo do Alemão, de onde conseguiram escapar por conta própria.
A idéia do presidente Lula é melhorar a imagem do Brasil mostrando ao mundo que nós não somos coitadinhos, e que temos condições de sediar um grande evento esportivo internacional , mas não vejo como a nossa imagem “lá fora” pode melhorar com estrangeiros seqüestrados tendo que fugir sozinhos. É claro, em sua reunião com o Comitê Olímpico Internacional (COI) Lula pediu para que eles olhem nosso país com um olhar de futuro, projetando como seria o Rio em 2016, mas se hoje, que o Brasil tem uma economia que continua a crescer, mais educação, mais saneamento básico, mais estrutura urbana e um melhor transporte, os criminosos ainda tomam conta das metrópoles, imaginem daqui a oito anos quando o ele não for mais presidente.
Não, não. Deixa isso para as outras cidades candidatas, Chicago, Madri e Tokyo. Há tempos que elas estão mais preparadas que o Rio para uma investida tão onerosa. Uma olimpíada em plena nossa fase de emergentes não vai ser, nem de longe, um bom negócio. Vinda de um país que não consegue criar uma política pública decente de incentivo ao esporte, esses jogos olímpicos em 2016 têm grandes chances de ser mais um “elefante branco“. E com poucas chances de medalha.
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eu concordo e assino embaixo de tudo que vc disse, mas…podia pelo menos ser aqui na america do sul… (eu sou fã de jogos olimpicos) que aí dava pra fazer uma aventura e ir de carro por exemplo…