Morrer? Só se for com estilo, por favor


Adoro a internet. Ela nos proporciona informações que nem imaginamos que existam. As que ultimamente têm me fascinado são as notícias estapafúrdias. Coisas como o filtro anti-pum desenvolvido por uma empresa americana (que fique claro que é para ser usado na cueca), o pitbull enlouquecido que invadiu um motel em Ribeirão Preto e assustou os clientes (não mordeu nada nem ninguém, ao menos) e o homem que ganhou R$ 17 mil na loteria mas fumou o bilhete premiado (cigarro de tabaco, é claro). Esse tipo de matéria me fascina, mas de toda a bizarrice que é publicada todo dia, nada prende mais minha atenção do que as notícias de mortes esdrúxulas.

  • stahler-funky-editoonEm 2003, três quenianos morreram tentando recuperar um telefone celular que caiu dentro de uma privada, na Cidade de Mossamba, no Quênia. Motivados pela recompensa de 1.000 xelins (o equivalente a R$ 45) eles quebraram o piso e desceram à fossa sanitária, mas, sem trocadilhos étnico-raciais, não conseguiram sair da merda e morreram envenenados pelos gases.
  • Uma mulher morreu atropelada pelo próprio carro em Santa Cruz do Sul (RS). Ela estacionou o veículo na garagem de casa, mas não teria puxado o freio de mão. Quando desceu para fechar o portão, o carro se moveu e a atingiu.

    Eu sou sádico por acompanhar essas notícias? Não, não, eu sou é um medroso. Devoro todos os canais de publicação desse tipo de material em busca de situações em que eu não devo me meter. Não quero morrer como a americana que plantou bananeira na varanda do hotel, caiu e morreu, tampouco quero que seja lembrando como o sujeito que morreu urinando na cerca elétrica. Que legado eu deixarei para os meus filhos? O legado de um homem que morreu esmagado por um crucifixo durante missa?

    Confesso, tenho medo de mortes ridículas. A morte em si não é um mistério para mim. Ela é apenas o propósito da vida, mas muitos ainda a supervalorizam e insistem em fazer dela um marco histórico familiar, mas morrer envenenado por chá contra azar não é o tipo de lembrança que eu quero para meus familiares e amigos. Quero ser lembrado como o cara que fazia piada da perspectiva da própria morte, que queria festa no seu funeral e que só aceitaria morrer atropelado se fosse por um Porsche. O óbito em si é apenas um detalhe.

    *Texto em homenagem ao cartunista pernambucano Clériston, que tem tanto medo quanto eu de perecer de maneira ridícula :-)

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